Anna Karenina - Nasci ,numa cidade do interior da Bahia chamada Pintadas ,no inicio de janeiro de 1950. Fui para São Paulo com sete anos de idade e fiquei como aluna interna, no colégio Seminário das Educandas, sito no Ipiranga SP. La cursei somente ate a quarta serie primaria.

Voltei a Bahia, ainda criança, mas infelizmente vivia na roça e nunca pude terminar meus estudos. O que escrevo nasceu da minha ânsia de saber... Não sei explicar... Então no meu pequeno mundo, comecei a desenhar e a escrever, coisas que chamam de poesia, mas não me enquadro nessa classe porque para as leis do BrasiL, sou semi-analfabeta apesar de não me sentir inferior.

Gosto de escrever desde criança... O que me vem a cabeça, Poesias, pensamentos, escrevo sobre a vida e os sentimentos. Gosto de exteriorizar tudo que minha alma sente. Moro agora em Feira de Santana - BA

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Alma doentia

Inimiga sou de mim mesma
Não suporto a hipocrisia
Dessa alma doentia
Que ha muito deixou de viver
Espero em tardes sombrias
Que a noite me de alegria
E tire o peso da dor
Esse vento minuano
Soprando de quando em quando
Espalha meus segredos
A triste covardia
E o medo...
Que eu tenho de viver

Anna Karenina



Anjo errante

Vivo nas madrugadas,
Das noites silenciosas
Banho-me da luz das estrelas,
Meu guia è o luar
Vivo em busca do nada,
Espero o fim do começo
Meu coração errante,
Espera a aurora chegar
Escondo-me em cavernas exóticas,
Cobertas de trepadeiras
Espero a dança das horas,
O sol descer no horizonte
Sou livre,
Sou fria,
Como o mármore
De uma lápide
Sinto na alma a essência
Do perfume de almíscar
Sou anjo,
Sou ninfa,
Sou poeira
De terras distantes,
Sou anjo errante
Vivo, mas não sou viva
Ando sem deixar rastros
No voo
rasante da vida
O rumor de muitas águas,
Raios deixo onde passo
Corro atrás do vento
Sou abstrata,
Estou aqui,
Mas ninguém me vê
No reflexo dos espelhos
Da vida,
Da morte,
Do sol,
Do mar
Da terra,
Da lua
Das estrelas a sonhar
Sou nuvem suspensa no ar...

Anna Karenina



Antes do pôr do sol

Esqueça a magoa, o rancor
Libere a criança em você
Pois do amanha só DEUS sabe
Esqueça um pouco os martírios
Cante uma bela canção
Levante os olhos pro céu
Veja que bela criação
Sinta o perfume das flores
Ouça a voz dos passarinhos
O sorriso da criança de onde exala a esperança
Olhe o seu próximo com respeito
Somos todos flores do pó
Lembre se, ninguém e perfeito
Fique com doce lembrança
Desse dia de descobertas
De singela luz alerta
Veja no horizonte o crepúsculo
Criando doce arrebol
Antes do por do sol

Anna Karenina



A beleza do luar

As coisas simples
Coisas de simplicidade extrema
Às vezes parece um poema
O sorriso de uma criança
O miado de um gato
A tristeza de um amor perdido
O abraço no ente querido
As rosas de maio em flor
A pureza do amor
Uma borboleta a voar
Pássaros a gorjear
A donzela descobrindo o amor
O doente no seu leito de dor
A campina coberta de flores
As montanhas verdes e multicores
As pessoas que vão e vem
Na estrada da vida a passar
À noite com ou sem estrelas
A beleza do luar

Anna Karenina



Aurora boreal

Luzes estranhas, aurora boreal
Nesse caminho que sigo descalça
Eu a vejo bem perto de mim
A solidão da mata virgem no amanhecer
Quebrada pelo gorjeio dos pássaros
Saindo de seus ninhos
Um breve assovio eu escuto
Minha pele fica eriçada de pavor
Não estou só...
Não pensei encontrar alguém
A essas horas do dia
Que assim como eu a vagar
Como alma perdida
Na mata ainda semi adormecida
Mas você apareceu do nada
Seus olhos traziam o frescor
De muitas madrugadas
E na sua pele morena
O sereno que caia...
Ficamos frente a frente
Não sei quem estava mais perplexo
Mas você estava ali...
Deitei-me em seus braços
E voltei a dormir

Anna Karenina



A serra

Quanta terra teria a serra
Quanto mato rasteiro ali se encontra
Quanto verde enigmático vê-se na serra
Quanto custa viver na serra inteira
Viajar por veredas insondáveis
Ver as arvores que cercam as clareiras
Colher as flores silvestres na primavera
Banhar- se no riacho de águas limpas
Sentir o cheiro do manjericão
Trepadeiras, e açucena do mato
Azuis borboletas em revoadas
Juntam- se a uma caravana multicor alada
Pássaros cantando ate a noitinha
Saudades eu tenho dessa terra que era minha
O rumor da ventania nas palmeiras
E o barulho sossegado de muitas feras
Quem me dera voltar a essa serra
E sentir o prazer de não sair
Sentar- me a beira do carvalho
Dormir e sonhar...
Sob o manto do orvalho

Anna Karenina



Alma brava

Sou como o vento
Um lamento
Quase maldito
Levo a poeira
Vermelha terra
Nessa guerra, também lutei
No véu da esperança
Doce criança
Corre à campina
Pobre menina
Rosas de maio
Rosas do vento
Asas do tempo
Seguir sozinho
Domar alma brava
Seria ilusão
Vida escrava
Vivendo no medo da escuridão

Anna Karenina



Estrada da minha vida

Quero sentir, a poeira
Das estradas da minha terra
Sujar meu rosto com seu beijo único
As mesmas veredas ladeadas de alecrim
Como eu gostaria de voltar no tempo
E ver meus pequenos pés
Naquela areia branquinha do riacho
E Respirar o doce ar
Perfumado de acácias
Sentia o vento balançar meus cabelos
E cochichar em meu ouvido
Levando minha curiosidade para
Seus feitos e suas viagens
Mirabolantes através dos tempos
Imaginei se daqui a muitos anos
Ele seria o mesmo vento
Que me contava aventuras e desventuras
Mas mergulhei no anonimato físico...
Cresci e esqueci-me de ser feliz
Esqueci o beijo da poeira
A areia cobrindo meus pés
A voz do vento a me chamar
O perfume das flores silvestres no ar
Esqueci que ser criança mesmo infeliz
È melhor do que ser um adulto
Aparentemente feliz...
Feliz pra mostrar ao mundo aparências
Para fugir de criticas e cobranças sociais
Quem me dera poder voltar...
Voltar, e andar nas estradas da minha terra

Anna Karenina



Natureza

Eu vi o que revela a proeza da natureza
Eu vi o quanto à abelha trabalha pra fazer seu doce licor
Eu vi quanto uma arvore demora pra crescer,
Mas leva minutos pra ser cortada e morrer
Eu vi a audácia dos homens querendo ser Deus
Suas viagens ao céu a procura de nada
Aqui tanta coisa pra se achar...
Eu vi... Mas eles procuram no ar
Eu vi a destruição em massa que beira a terra
Eu vi que somente homens de bem
Ouvem e respeitam esse alerta

Anna Karenina



Meu eu

Meu eu, sentindo o ser
Virando tudo
Meu ego mudo
Minha vez de amar
Sonhar, sonhos perdidos
Corpo esquecido
Pela alma amarga
O ser infante, mas tão galante
Sobe a parede da escuridão
Desce em brancas nuvens
Corre em lentos cometas
Esvazia as gavetas
Joga tudo no chão
Desespero-me, mas em vão

Anna Karenina



Meus cabelos cor da lua


A lua brilha majestosamente
Enquanto eu procuro meu brilho
Mas ninguém pode brilhar como a lua
Senti inveja da luz prateada que emanava dela
Então olhei meus cabelos...
Que estava também cor de prata
E vi que a lua iluminava com inveja meus cabelos
Através do seu luar branco e singelo
Pedi licença às estrelas que viram nosso diálogo
Nosso diálogo sem dizer coisa nenhuma
Pois sou como a lua
Nunca falo
Nunca pergunto
Porque a lua tem a mesma cor de meus cabelos?

Anna Karenina



Imortalidade dos imortais


Sonhar, viver, cantar, amar, morrer
Viver, acordar, sonhos de algodão, vasta plantação
Plantemos a paz, sem guerra, sem dor
Colhemos mais vida, guirlanda de flores, amores
Ser preciso lutar, como as flores na primavera
Com espinhos cortando a carne, a mente a semente
Ate ver o que restou da imortalidade dos imortais
Todos em seus túmulos memoriais, em paz
Sem sussurro ou choro, lamento desalento
Essa ciência não pode ser exata
Na floresta verde... Explica, confunde as vezes mata
Da morte ninguém escapa...

Anna Karenina



Sinfonia do vento

Vento que anda por toda terra
Escuta o segredo dos amantes
Vento que varre as nuvens de chuva
Pra lugares mais distantes
Vento que inspira poesia
Teu segredo ninguém sabe
Vento ninguém te vê
Vento só te sentimos
Leva os pecados desse povo
Ate o sol do infinito
Vento entra na escuridão e vigia o coração
Faz da tua dança um gemido
Saído da garganta da noite
Vento leva as gotas de água límpida ate o local da seca
Lembra que um dia te vi
Abstrato e irregular
Vento volta e me conta
Onde está o meu lugar
O meu lugar nessa terra
Onde eu possa descansar

Anna Karenina



Balada do sono

Canto a balada do sono
minha criança,já esta a dormir
no ressonar do infante
a doce voz de um anjo
abro as janelas da noite
o manto do luzeiro menor
em pedrarias bordado
cintilando...como
as portas de um paraíso
la mais adiante...
...aqui na terra...
o pio sombrio da coruja.
então espero a passagem
entre noite e madrugada
pra que eu possa adormecer
pois quero...
intensamente...
viver ...

Anna Karenina




E a lua era minha...

A saudade em compasso
Saudades de teu abraço
Na luz que irradiava da lua
No vazio... De uma noite de verão
Meus olhos estavam cegos
Cegos de tanta esperança
Que não tinham enxergado
Que no compasso da dança
Havia a despedida.
Deixando só a lembrança
Dançamos um minueto
Sem salão de aristocracia
Não havia realeza
Somente nossa beleza
A nossa fresca juventude
Que sorria em todos os poros
Dançamos o minueto
No compasso a luz da lua
Nessa noite eu era tua
E a lua era minha...

Anna Karenina



A dança de primavera
de Terpsícore

Ao longe... Muito longe
O som mavioso
Como um segredo de primavera
Etéreo e doce perfume
De seres encantados
Em sua dança mágica
Exuberante, quase profana
Um despertar de luz... Criaturas aladas
Sinos sinistros...
Anunciam a alvorada
Alegria volta à terra encantada
A voz longuicua de Terpsícore... Faz se ouvir
A dança exótica, chegando a seu clímax
O perfume deixa êxtase e entorpece
Levando a devaneios...
Ela, dança enroscada... Em véus multicores
Esvoaçante marcando a balada do tempo
Lembrando de seus amores
Som de cristais batendo se contra as rochas milenares
Ela senta em seu trono de marfim...
Seu manto de letras musicais
Suspensas no ar...
Então... vem a primavera
No reinado de Terpsícore

Anna Karenina



Eu queria ser como

as estrela no céu

Brilhar, brilhar... Somente brilhar
Eu queria ser como as ondas do mar
Vim ate a praia e depois voltar
Eu queria ser como uma campina
Abrigar flores e vegetação
Eu queria ser como a luz do sol
Poder brilhar na amplidão
Mas se nada disso posso ser...
Serei alguém que há seu tempo
Distribui amor e compreensão

Anna Karenina



Só assim eu seria feliz

ai...como eu gostaria
que não houvesse noite
nem houvesse dia

que tudo transcorresse como se nada
ainda houvesse sido criado
a terra mergulhada
nas águas de profundezas
os luzeiros do céu sem haverem sido criados
o ser humano
ainda uma imaginação
na força de criatividade Divina

ha como eu queria
não existir
não respirar
não sofrer nem chorar
nessa minha covardia toda
nem ao menos recordar
ser só um projeto
ainda por sair do papel
ha como eu gostaria
de se tiver de viver...
viver sem dor

ha...só assim eu seria feliz

Anna karemimna



Canto triste


Porque eu sonho
Que os valores... dessa solidão
De paisagens, multicores e ilusão
Porque eu grito... Essa saudade dilacera
o meu coração
De muitas vidas assim vividas na imensidão
Do vento leve que me leva a destruição
E do amor que só me da à salvação
Então eu canto...
Por minha vida, La num canto distorcida
E rendida aos temores meus
Meu canto triste não existe com exatidão
Deixe-me então por um momento
Eu pensar em Deus...

Anna Karenina



Lendas de outono

Movimento na noite
Movimento na madrugada
Fim de estação, segredos
Coração partido...
Esperança de um tempo
Que ficou distante
Lampejos de raios da lua
Os mesmos que nos vivam na rua
Lendas de outono a estação dos frutos
Flores na janela... Miosótis
Eu acredito na sorte...
Na vida de muitos, roseirais
Arrebol de flores belas
Em estranhas aquarelas
Visão de tudo que existe

Anna Karenina



Loucuras de verão

Subo a estrada colorida de muitas vidas
Saltitando em mil formas
Plataformas e estação
Guarda chuvas, sol a pino
Água salgada
Madrugadas... Auroras assistidas
A ver o mar, loucuras de verão
Sol que queima que bronzeia
A carne exposta
Largas costas... Pernas grossas
Cinturas de pilão
Maré brava, lentas águas
Misturam-se nas loucuras de verão
No horizonte umedecido
Surge a vela de barcos indolentes
Voadores, incolores
Abstratos
Morto a distancia de tanta canseira
Suadeira... Bebedeira
Loucuras de verão

Anna Karenina



Torre de marfim

Ambivalência esquisita
Amor e ódio em confronto
Sabedoria perdida no que resta
Do real dos algozes
Falha ao concluir opinião formada
Sobre tudo que existe
Anel de diamante com aro de marfim
Eras a pedra preciosa
Era o começo e o fim
Bela torre de marfim

Anna Karenina